O serviço da tão falada rede 5G deve começar a ser oferecido no Brasil somente a partir de 2023, embora tenha sido um tema quente no mercado. Mas o 5G já é realidade na Coreia do Sul desde o começo do ano, o primeiro país a expandir esta tecnologia de maneira comercial. É o case que se tem hoje para começarmos a tirar lições aprendidas sobre os desafios e a aplicabilidade desta tecnologia revolucionária. Confira abaixo algumas delas:

Oferta de smartphones

            O que acelerou a adoção do 5G na Coreia do Sul pelos usuários foi a diversidade de oferta de modelos de devices que comportem esta tecnologia, e a preços acessíveis. No Brasil, por exemplo marcas como, Motorola, Huawei, Samsung, LG e Xiaomi já oferecem aparelhos preparados para o 5G. Os preços variam entre 1200 reais (Motorola) e 3500 reais (Samsung).

Avanço dos Planos de Dados  

Na Coreia, um usuário 5G consome cerca de 65% a mais de dados do que um usuário 4G. Com o advento da nova tecnologia, o smartphone deve se consolidar como a primeira tela (mobile first), com a ajuda de facilidades como baixar um filme inteiro em menos de 5 segundos no celular.

Assim, planos de dados ainda hoje pouco contratados, como aqueles a partir de 50GB de pacote mensal, devem se tornar padrão com o advento da nova tecnologia. Na Coreia, o 5G levou ao aumento do ARPU no setor em cerca de 1% já nos primeiros meses de implantação.

Consumo de bateria

A migração do uso da rede 4G LTE para 5G pode afetar o consumo da bateria de diferentes maneiras. No primeiro momento, durante o período de expansão da cobertura da nova rede, quando acontecem alternâncias entre os sinais, o consumo deve ser maior. A fabricante coreana Samsung testa estratégias para melhorar a durabilidade da bateria, com mecanismos que se conectam inicialmente ao LTE e posteriormente se ajustam para 5G.

Mas, o 5G, em si, não afeta a bateria dos dispositivos, podendo até garantir maior durabilidade. Segundo pesquisas da  Signals Research Group (SRG), os usuários de dispositivos 5G devem esperar uma duração de bateria suficiente de uma célula de 4.400 mAh para durar um dia normal de trabalho, isto porque existem vantagens na velocidade de download, no  qual o usuário tende a reduzir o tempo de uso de tela, economizando assim a bateria.

Aplicabilidade

            O foco no uso B2B é prioridade inicial na Coreia, segundo o MIT (ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação), atingindo uma variedade de industrias de convergência, como novas formas de mídia e produção audiovisual, voltada para realidade virtual e hologramas, automatização de produção em fábricas, por meio de inteligência robótica, tecnologias em logística automatizada com uso de robôs e drones em entregas remotas, entre tantas outras aplicações.

Outras possibilidades de uso são experiências do usuário para promover o uso da nova tecnologia. A operadora líder no mercado local, a KT, por exemplo, instalou uma rede de 5G em um estádio de baseball para que os usuários conectados ao 5G vissem nas telas de seus dispositivos um dragão, criado por realidade aumentada, sobrevoando as arquibancadas.

Lançamento simultâneo em áreas limitadas

            A estratégia das três grandes operadoras sul-coreanas previu o lançamento simultâneo abrangendo a região metropolitana de Seul e outros centros financeiros do país. O ritmo de expansão da infraestrutura desta tecnologia na Coreia é bastante acelerado. A operadora SK já instalou 34 mil estações base 5G em 85 cidades, conquistando 1 milhão de assinantes em 4 meses. A LG Uplus compôs sua rede com 50 mil estações em Seul e arredores, com o objetivo de implantar 80 mil estações-base na Coréia do Sul e cobrir 90% da população até o final deste ano. Já a KT planeja estar presente com a tecnologia em 85 grandes cidades do país até o final de 2019.